A vida da Comunidade

Uma das ideias fortes da renovação da vida religiosa no Concílio era a formação de pequenas comunidades abertas à transparência da vida simples segundo o Evangelho, prioridade dada a uma verdade de vida conducente a um autêntico amadurecimento humano e espiritual dos seus membros. Ao estruturar a vida da nossa comunidade, tivemos sempre em conta essa ideia do pequeno número de irmãs — nunca mais de 7 ou 8 elementos.

A comunidade devia, também, permanecer atenta ao espírito do Concílio, na renovação da Liturgia e da Observância tradicionalmente concebida para grandes comunidades.

No concreto, era importante manter um esforço de abertura procurando, ao mesmo tempo, guardar o essencial dos valores tradicionais da vida monástica dominicana: oração e contemplação, vida fraterna, estudo da Palavra de Deus.

O tecido da nossa vida comunitária dá prioridade:
  • à Liturgia com  Eucaristia diária (aos Domingos às 11,30 H., durante a semana a hora depende da possibilidade dos Sacerdotes)
  • à leitura da Palavra de Deus – a Lectio Divina e o Estudo
  • ao Silêncio que torna possível o aprofundamento humano e a busca de Deus na contemplação.
  • à Oração Silenciosa sem especificar tempos nem métodos – o verdadeiro monge deve orar sempre.
  • à Vida Fraterna autêntica, baseada na amizade – "ser um só coração e uma só alma em Deus" na tradição de Santo Agostinho de quem recebemos a Regra.
  • à Pobreza que exige o trabalho pela própria subsistência, a moderação das necessidades, a opção pelo mais simples, a partilha, o despojamento que diz a presença de Deus e a beleza.
  • à Pureza de Coração que é amar como Deus ama.
  • à Obediência aberta ao diálogo na exigência da responsabilidade pessoal.






Dimensão também fundamental da vida monástica é o "distanciamento do mundo" que deu origem à 'instituição' da clausura. No breve espaço deste site não cabe apresentar a história dessa veneranda instituição. Os Mosteiros das Monjas Dominicanas são regidos pela clausura papal consignada no Direito Canónico para todas as grandes Ordens fundadas na Idade Média — as Ordens Contemplativas.
Na nossa comunidade, como em muitas comunidades de monjas dominicanas, essa concepção rigorosa de clausura foi posta em causa e relativizada. "O distanciamento do mundo" inerente à vivência monástica, não é entendido apenas, nem principalmente, como separação física, clausura rigorosa, "reclusão", mas como afirmação e manifestação dos valores do Evangelho face aos valores do mundo – o dinheiro, o poder e o prazer. Daí que a nossa vida de monjas, totalmente dedicada ao Evangelho, deva testemunhar uma grande generosidade no acolhimento, na escuta, na partilha, na disponibilidade e solidariedade para como todos — os de dentro da Igreja e, como filhas de S. Domingos, especialmente os de fora.

A renovação da oração e o pedido de pessoas que vêm em número cada vez maior partilhar a oração dos Mosteiros, o acolhimento orientado para a partilha espiritual e o desejo de um certo diálogo com a Comunidade que reza, confrontam a Comunidade com uma dupla exigência: por um lado oferecer um espaço de silêncio, de recolhimento e de oração e por outro, ficar disponível só na medida das suas possibilidades e limitações de número e de espaço. Assim, na nossa Comunidade não temos hospedaria nem recebemos "hóspedes".

Quinta do Frade (à Praça Rainha D. Filipa), Lisboa, 1600-681 Lisboa
Tel: 217589612 | | E-mail: